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16 de março de 2019

"PT votando no PSDB e PSDB votando no PT", diz Janaína Paschoal (PSL)

Após derrota para o tucano Cauê Macris na corrida à presidência da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a deputada Janaína Paschoal (PSL) escreveu em sua conta no Twitter que não vai "esquecer os nomes" e não vai "deixar o povo esquecer", referente à união do PT ao PSDB para garantir a derrota do PSL no comando da Casa.


"PT votando no PSDB e PSDB votando no PT. Essa é a nossa triste realidade!",
Janaina Paschoal

Janaína era a candidata do partido, e garantiu 16 votos contra 70 de Cauê, que conseguiu o apoio de 21 partidos, entre eles PT e PSB. A deputada escreveu que a "triste realidade" é ver o "PT votando no PSDB e PSDB votando no PT". Ela também afirma que não sabe se seguirá na Política. Janaína foi a deputada estadual mais votada da história, com mais de 2 milhões de votos, o suficiente para garantir uma vaga na Câmara dos Deputados.

As críticas também foram direcionadas aos membros das bancadas religiosas e da bancada da segurança pública, que segundo ela, votaram em candidatos petistas contrários às suas bandeiras. "Os membros das bancadas religiosas, ao que tudo indica, também votarão no PT, partido declaradamente favorável ao aborto. Depois,não venham fazer discurso a favor da vida".

14 de março de 2019

Eu só quero defender meu Pai

Em rara entrevista, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), disse ao canal da jornalista Leda Nagle no Youtube que às vezes se sente “culpado” e às vezes “aliviado” com sua atuação nas redes sociais. Ele não vê exagero na forma intempestiva como costuma debater nas plataformas, principalmente no Twitter.
“Se você soubesse a quantidade de pancada que a gente toma… Pela quantidade de respostas que eu faço, você acharia que sou um anjo”, disse Carlos. “Às vezes, sim, a gente passa dos limites. É humano. Eu respondo na hora. Tenho escutado de amigos meus que o período eleitoral já passou e que temos que ter um sentimento de proatividade porque agora somos vidraça. Entendo isso, mas as pancadas vêm. A cada vinte pancadas que recebemos, de vez em quanto responder uma, vale (risos).
“Com o passar do tempo, as coisas amadurecem. Vou levando puxão de orelha do meu pai. Ele me dá bronca, meus amigos me dão bronca”, disse Carlos. “Me sinto culpado de vez em quando, aliviado de vez em quando. Eu sempre procuro evoluir.”
Na entrevista de uma hora, ele fala da relação de proximidade com o pai e relembra a tensão vivida após Bolsonaro ter sido esfaqueado em Juiz de Fora (MG) durante ato de campanha. Ele estava com o então presidenciável no dia. Carlos diz não acreditar que Adelio Genro Bispo, que atacou Bolsonaro, tenha problemas mentais, como apontou perícia.
“Qualquer um que Adelio pudesse acertar, ele atingiria meu pai. Ele tinha consciência disso. Falar que ele é maluco? Eu não acredito nisso”, disse. “Ele tinha três celulares, pagou hotel antecipado, sabia da agenda do meu pai.
Emocionado, ele relatou os momentos que antecederam a primeira cirurgia de Bolsonaro após o atentado. “Quando vi tinha acontecido alguma coisa (no ato), fui atrás e encontrei meu pai caído no chão do bar. Depois, as pessoas colocaram ele dentro do carro. O sangue não saía por ter sido uma facada na barriga, então achamos que tinha sido superficial. A gente ia conversando com ele dentro do carro. ‘De zero a dez, capitão, como você está?’ ‘Cinco, mas está doendo’.”
Ele diz ter visto o pai “indo embora duas vezes” antes da primeira cirurgia e reclama de quem acusa que a facada teria sido uma armação. “Chegando na Santa Casa, os doutores analisaram ele, ele começou a esfriar, mas o sangue correndo e vazando por dentro. Eu percebi em determinado momento… Eu vi meu pai indo embora duas vezes, virando os olhos. Tem canalha que olha para a gente e fala que aquela facada foi fake. Entende a minha raiva? Não foi superficial. Eu estava junto na sala de cirurgia. Vi tirarem dois litros de sangue, os órgãos para fora, e aí saí de dentro da sala. Eu estava em choque. Foi algo inacreditável.”
Na entrevista, ao ser perguntado sobre sua interferência nas questões do governo, incluindo o episódio envolvendo o ex-secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, Carlos diz que só pensa em defender o pai. “Não tem como as pessoas me separarem do meu pai. Sou filho dele e trabalhamos juntos ha 18 anos. No dia que ele chegar e falar ‘filho, vai embora’, eu vou. Eu só quero defender meu pai. É lógico (que o objetivo é proteger o pai). Só quero levar adiante um plano que eu acredito. (Sobre Bebianno), essa pessoa não conversou sobre o assunto citado pelo jornal O Globo no dia citado. É só isso.”

‘Corporativismo’

Ele também reclamou da imprensa e reconheceu ter receio de jornalistas. “É uma classe que, sim, tem um corporativismo gigantesco, não somente com o presidente Bolsonaro, mas também quando ele era deputado. Eu deixo para as pessoas refletirem. Tenho receio (com jornalistas) porque sei que dentro da formação dos senhores (jornalistas), os senhores carregam consigo uma ideologia que às vezes ela é tomada de um seio ideológico que acaba contaminando a informação. Não acho isso agradável.”
Carlos ainda comentou a publicação de um vídeo obsceno por parte do pai no Twitter durante o carnaval. As imagens mostravam um homem urinando na cabeça de outro durante um bloco de carnaval em São Paulo. “Ele (Bolsonaro) foi claro. Não falou que ‘acontece no carnvaval’. E sim ’em muitos pontos do carnaval’. Ele tenta trazer essas informação para que elas sejam expostas. Chocantes ou não, é a realidade. Foi o sentimento que ele quis demonstrar e é a realidade.”

Formado em Jornalismo sem assistir aula, até por que dava expediente em Brasilia, o deputado Silas Câmara foi eleito presidente da Comissão de Minas e Energia

O deputado e jornalista formado a distância sem assistir aula, segundo denúncias, Silas Câmara (PRB-AM) foi empossado na noite desta quarta-feira, 13, presidente da Comissão permanente de Minas e Energia na Câmara. A comissão tem 48 membros. A maior parte do PSL, com 28 nomes, além de 10 do PDT, 9 do PT e um do partido Novo.
Formação no Curso de Jornalismo sob suspeita
Em 2017 o deputado federal Silas Câmara (PRB) postou foto no Facebook, comemorando sua graduação em Jornalismo pela Faculdade Boas Novas e colegas afirmaram que nunca viram o deputado assistir uma aula, até porque ele dava expediente em Brasília e Faculdade Boas Novas não disponibiliza o Ensino a Distância de Jornalismo. Aliás o Sindicato local nunca investigou o caso e nem denunciou.
Um aluno denunciou; “Estou a quatro anos na Faculdade Boas Novas e nunca vi o Deputado Silas Câmara entrar na sala de aula. Acho que ele fez Ensino a Distância. Deputado esperto.”
A Faculdade Boas Novas é controlada pela família Câmara e não possui curso a distância de jornalismo, até por que o deputado dava expediente em Brasília. Silas Câmara nunca se manifestou até agora sobre o questionamento do aluno.
Aliás o espaço está aberto para que o nobre deputado se manifeste.
Condenado por falsificação de documento, mais teve pena eliminada por prescrição
O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou em 2016 o deputado federal Silas Câmara (PRB-AM) pelos crimes de uso de documento falso e falsidade ideológica. A pena foi estipulada em 8 anos de prisão, mas não será cumprida em razão da prescrição do crime, que ocorre quando há demora entre o fato e a apresentação da denúncia à Justiça.
No processo, Silas Câmara foi acusado de encomendar a um despachante a mudança de seu registro civil para incluir o sobrenome da mãe. Com um novo documento de identidade, ele obteve um novo registro no Cadastro de Pessoas Físicas da Receita Federal (CPF), o que, para os ministros do STF, configurou falsidade ideológica
Os novos documentos foram usados pelo deputado para mudar o contrato social de uma empresa de que era sócio e, assim, livrá-lo de problemas ligados ao seu verdadeiro nome. Por isso, a denúncia imputou crime de uso de documento falso. Somente quando a acusação veio à tona, o parlamentar informou a duplicidade às autoridades e providenciou o cancelamento.
A defesa de Silas Câmara alegou que ele queria apenas homenagear sua mãe e teria feito uso dos documentos de boa-fé. Assim que teve conhecimento da falsificação, segundo a defesa, o deputado informou a Secretaria de Segurança do Amazonas e a Receita.
Relator do caso no STF, o ministro Luís Roberto Barroso entendeu que foram fornecidas informações falsas à Receita para obtenção de novo CPF e uso de documento falso, por sua utilização para lavrar documentos públicos. O ministro observou que o próprio parlamentar confessou os atos e usou os novos documentos quatro vezes.
Na Primeira Turma do STF, onde o caso foi julgado, a maioria dos ministros reconheceu a prescrição, já que os fatos ocorreram entre 1997 e 1998, e a denúncia só foi aceita em 2009 pela Corte. A demora se deu, segundo Barroso, por sucessivas trocas na relatoria do processo.
“Constato a ocorrência de prescrição neste caso concreto em razão das idas e vindas, subidas e descidas do processo, o que apenas revela a falência do modelo de foro privilegiado que ainda se adota nessas hipóteses”, disse o ministro.
Somente o ministro Marco Aurélio entendeu não ter ocorrido a prescrição. Os demais integrantes da turma (Rosa Weber, Luiz Fux e Edson Fachin) acompanharam Barroso.

13 de março de 2019

Bolsonaro corta 21 mil cargos e gratificações e estima economia de R$ 195 mi

O presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto que extingue 21 mil cargos comissionados e gratificações do serviço público federal. A medida era uma das prioridades listadas para os primeiros 100 dias de governo.


O texto, publicado nesta quarta-feira, 13, no Diário Oficial da União, estima economizar 194,9 milhões de reais.

Na prática, a maior parte dos cargos extintos não vai gerar demissão de trabalhadores. Isso porque muitas vagas são uma espécie de adicional pago ao servidor público concursado que passa a exercer determinada função escolhida por chefias ou é nomeado para cargo de confiança.

O decreto estabelece a extinção imediata de 5.100 cargos e funções. 

Outras 12,4 mil deixarão de existir em 31 de julho. Já nas gratificações, 1.487 deixam de existir de imediato e outras 2.000 ficam vigentes até 30 de abril. Não há detalhamento de áreas em que os cortes foram feitos.
Segundo o texto, “eventuais ocupantes das vagas ficam automaticamente dispensados ou exonerados”. O governo não informou qual o número de postos que já estavam desocupados.

Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou que o assassinato de Marielle é um caso como qualquer outro que acontece no Brasil e associar o caso à sua família é "absurdo e repugnante"

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou que o assassinato da vereadora Marielle Franco, em março do ano passado no Rio de Janeiro, é um caso como qualquer outro que acontece no Brasil e que está "muito acima da questão política". Ele também disse que a vereadora era desconhecida antes do caso e que as tentativas de associá-lo à sua família é "absurdo e repugnante".

"Esse caso de assassinato é como os outros 62 mil casos que a gente tem no Brasil. É óbvio que a gente quer que ele seja elucidado e que quem cometeu vá preso. Não tem nada de diferente. Não tem essa de passar a mão na cabeça. Isso aí está muito acima de questão política, pelo amor de Deus", afirmou o parlamentar ao deixar o Congresso nesta terça-feira.

Dois dias antes de completar um ano do assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes, a polícia prendeu nesta madrugada dois suspeitos pelo crime. Ronie Lessa, policial militar reformado, e Elcio Vieira de Queiroz, expulso da Polícia Militar, foram denunciados por homicídio qualificado e por tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, uma das assessoras de Marielle que também estava no carro.
Lessa mora no mesmo condomínio onde o presidente Jair Bolsonaro tem uma casa, na Barra da Tijuca, no Rio. Nas redes sociais, Queiroz é simpatizante do presidente Bolsonaro. Ele curte as páginas oficiais do PSL Carioca, de Flavio Bolsonaro e do próprio Eduardo.

Sobre uma possível proximidade dos envolvidos com a sua família, Eduardo afirmou não ter envolvimento com a milícia do Rio de Janeiro e disse que o pai tira "um milhão de fotos por ano com todo mundo". "Será que se eu tirar uma foto com um policial, eu vou ser responsável por tudo que ele fizer? Igual a questão da medalha. Flávio [Bolsonaro, senador] deu a medalha em 2004. O cara é suspeito de alguma coisa agora e querem associar com o Flávio", disse.

Eduardo acusou parte da imprensa profissional e alternativa de fazer um "trabalho sujo financiado pelos últimos governos que cai no descrédito ao tentar fazer esse tipo de relação". "É um desespero para tentar dizer que Bolsonaro tem culpa no cartório. Quem era Marielle? Estou falando com todo o respeito. Ninguém conhecia quem era Marielle Franco antes de ela ter sido assassinada. Depois, todo mundo começou a conhecer porque foi dada uma grande notoriedade. Agora, pelo amor de Deus, tentar fazer essa relação é mais do que absurda, é repugnante", disse.

O deputado também afirmou não saber sobre um suposto namoro entre uma filha de Ronie Lessa com um dos filhos de Bolsonaro. O delegado pelas investigações, Giniton Lages, confirmou que houve o relacionamento. "Olha, eu não vou falar nome de ex-namorada, mas eu procurei aqui e nenhuma delas é filha de PM, não. Se essa informação for verdade, não sou eu não. Tem que perguntar para meus irmãos. Sei lá, né, será que namorou mesmo? Meio estranho isso aí, mas tudo bem", disse.

O jornalista francês Jawad Rhalib afirma que Constança Rezende quer destruir família Bolsonaro, e agora Estadão?

O jornalista francês Jawad Rhalib, autor da matéria que denuncia Constança Rezende, repórter do Estadão, se manifestou em seu blog, hospedado no site Media Apart, nesta terça-feira (12). Após ataques coordenados da “grande” mídia contra o portal Terça Livre TV e a mim, por terem traduzido e divulgado o artigo do francês, Rhalib desafia a imprensa a provar que sua matéria é falsa.


“Dans le cadre de mon travail de documentariste d’investigation, j’ai enquêté sur plusieurs sujets, dans plusieurs pays: l’homosexualité et la prostitution au Viêt Nam, les enfants des déchèteries à Madagascar, la « présumée » fin de l’apartheid en Afrique du Sud, le printemps arabe au Maroc, l’exploitation des sans-papiers dans les serres espagnoles, la lutte des Cocaleros et Evo Morales en Bolivie, les industries pharmaceutiques face à la maladie de Chagas, la liberté des artistes face au fondamentalisme…Depuis quelques mois, je me suis lancé avec mon équipe (journalistes, sociologues et étudiants-chercheurs) sur les questions suivantes : Comment les médias forment et déforment nos vies et notre perception de la réalité ? Qu’en est-il du travail des journalistes qui nous livrent des informations quotidiennement ? Jusqu’où des journalistes sont-ils capables d’aller pour se faire connaître, devenir célèbre, monter les échelons ? Une enquête menée dans plusieurs pays et notamment le Brésil qui a connu des scandales de corruption au plus haut niveau de l’Etat. Une enquête sur des journalistes de gauche, de droite, du centre, de toutes tendances.
Je ne connais pas personnellement Constança Rezende, mais son acharnement contre le président brésilien et son entourage dont je ne suis pas, au passage, un grand fan, nous a intrigué, interpellé…cela a fait d’elle un parfait « sujet » à étudier de près. Nous voulions exposer, comprendre et faire comprendre, comment certains journalistes construisent leur crédibilité en rapportant des rumeurs, des histoires, des opinions et des faits sans parfois, voire souvent, vérifier la validité avant de les transmettre au plus grand nombre, par manque de temps, de moyens. C’est la course à celui qui livre le scoop, qui fait le buzz…pour plus de rentabilité, pour offrir un retour sur investissement à ses propriétaires qui engrangeront des profits au détriment de l’INFORMATION.
Constança Rezende, comme beaucoup de journalistes malheureusement, sont aujourd’hui au service d’entreprises de « diffusion » de l’information, dont le lecteur, le téléspectateur est un simple produit vendu aux annonceurs en quête de clients. Le « temps de cerveau humain disponible », selon l’expression formulée en 2004 par Patrick Le Lay, alors PDG du groupe TF1 qui vendait, selon lui, à Coca-Cola du « temps de cerveau humain ».
Ces deux derniers jours, j’ai pris le temps de lire les réactions des uns et des autres. Beaucoup de fausses informations sur la question, pas mal de fantasmes. Je n’ai jamais évoqué les noms des personnes qui ont collaboré avec moi. Cela s’appelle “la protection des sources”, de toutes personnes qui contribuent directement à la collecte, la rédaction, la production ou la diffusion d’informations, par le biais d’un média, au profit du public.
Mon blog n’engage aucunement la responsabilité éditoriale et juridique de Mediapart qui m’offre un espace d’information, de débats, d’échanges et de discussions, respectueux de la liberté d’expression. Mediapart a déclaré sur Twitter que les informations publiées sur son site étaient fausses, je les invite à se renseigner, à creuser comme ils ont l’habitude de le faire, avant d’émettre un tel jugement, de mettre en cause notre enquête et notre intégrité. Comment peuvent-ils affirmer que mes informations ou mes sources sont fausses alors qu’ils ne disposent d’aucune information? Ils ont le droit de manifester leur solidarité envers la journaliste en question, mais pas de mettre en doute mon professionnalisme ou celui de mon équipe. Ce n’est pas parce que l’article est, dans ce cas-ci, à la faveur de Bolsonaro, qu’ils ont le droit de s’ériger en défenseur d’une journaliste mise en cause.
Certains médias brésiliens m’accusent de publier de fausses informations, je les invite à se renseigner auprès de la concernée. A titre personnel, je n’ai fait qu’informer le public. Je suis autant libre que Constança Rezende de publier mon enquête basée sur des faits réels et vérifiés ainsi que sur des preuves matérielles telles que les enregistrements audios. Je ne m’attendais pas à cette déferlante médiatique sur la twittosphère, mais cela prouve que chaque jour, le public forme des opinions, des avis, des points de vue, des partis pris, sur ses proches, ses voisins, sur les produits vendus au supermarché, sur les politiques, sur l’écologie, les religions… sur ce qui le concerne de près ou de loin. Bref, on peut facilement dire que les journalistes sont partout autour de nous.
Jawad Rhalib
Journaliste professionnel Belge
Le Club est l’espace de libre expression des abonnés de Mediapart. Ses contenus n’engagent pas la rédaction”.
Tradução:
“Como parte do meu trabalho como documentarista investigativo, investiguei vários tópicos, em vários países: homossexualidade e prostituição no Vietnã, os filhos de centros de eliminação de lixo em Madagascar, o “presumível” fim do apartheid na África do Sul, a primavera árabe no Marrocos, a exploração de migrantes indocumentados em estufas espanholas, a luta de Cocaleros e Evo Morales na Bolívia, as indústrias farmacêuticas diante da doença de Chagas, a liberdade dos artistas de enfrentar o fundamentalismo … Nos últimos meses, comecei com minha equipe (jornalistas, sociólogos e estudantes-pesquisadores) nas seguintes questões: Como a mídia molda e distorce nossas vidas e nossa percepção da realidade? E quanto ao trabalho de jornalistas que nos entregam informações diariamente? Até que ponto os jornalistas podem ir para se tornar conhecidos, se tornar famosos, subir a escada? Uma pesquisa realizada em vários países, incluindo o Brasil, que sofreu escândalos de corrupção no mais alto nível do estado. Uma investigação de jornalistas da esquerda, da direita, do centro, de todas as tendências. Jawad Rhalib
Constança Rezende, como muitos jornalistas infelizmente, estão hoje a serviço de empresas de “difusão” da informação, cujo leitor, o telespectador é um produto simples, vendido aos anunciantes em busca de clientes. O “tempo do cérebro humano disponível”, de acordo com a expressão formulada em 2004 por Patrick Le Lay, então CEO do grupo TF1, que vendeu, segundo ele, para a Coca-Cola “tempo do cérebro humano”. Nestes últimos dois dias, aproveitei para ler as reações um do outro. Muita informação falsa sobre o assunto, muitas fantasias. Eu nunca mencionei os nomes das pessoas que colaboraram comigo. Isso é chamado de “proteção de fonte”, de todas as pessoas que contribuem diretamente para a coleta, escrita, produção ou disseminação de informações, através de um meio, para o benefício do público. Meu blog não envolve a responsabilidade editorial e legal da Mediapart, que me oferece um espaço de informação, debates, trocas e discussões, respeitoso da liberdade de expressão. A Mediapart disse no Twitter que a informação publicada em seu site era falsa, eu os convido a perguntar, a cavar como costumam fazer, antes de fazer tal julgamento, questionar nossa investigação e nossa integridade. Como eles podem alegar que minhas informações ou fontes são falsas quando não têm informações? Eles têm o direito de expressar sua solidariedade para com o jornalista em questão, mas não questionar meu profissionalismo ou o da minha equipe. Não é porque o artigo é, neste caso, favorecido por Bolsonaro, que eles têm o direito de se levantar como defensor de um jornalista acusado.
Alguns meios de comunicação brasileiros me acusam de publicar informações falsas, convido-os a perguntar com os interessados. Pessoalmente, eu apenas informei o público. Eu sou tão livre quanto Constança Rezende para publicar minha investigação com base em fatos reais e verificados, bem como em evidências físicas, como gravações de áudio. Eu não esperava esse aumento da mídia na twittosfera, mas isso prova que, todos os dias, o público forma opiniões, opiniões, pontos de vista, preconceitos, sobre seus parentes, vizinhos, sobre produtos vendidos. no supermercado, na política, na ecologia, religiões … no que lhe diz respeito de perto ou de longe. Em suma, podemos dizer facilmente que os jornalistas estão em toda parte à nossa volta. Jawad Rhalib Jornalista profissional belga O clube é o espaço de livre expressão dos assinantes da Mediapart. Seu conteúdo não envolve a escrita”.

23 de agosto de 2018

Ciro Gomes, disse que a cúpula do PT mente para o “povo mais pobre, mais simples, mais humilde”, ao dizer que Lula (presidiário) é candidato

O candidato do PDT ao Palácio do Planalto, Ciro Gomes, disse, durante sabatina realizada pela Rádio Globo nesta quarta-feira (22), que a cúpula do PT mente para o “povo mais pobre, mais simples, mais humilde” ao dizer que o ex-presidente Lula será candidato à Presidência da República. 

Segundo Ciro, é sabido que Lula será substituído por “um poste”, numa alusão ao candidato a vice-presidente na chapa petista, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. Isso porque, na opinião de Ciro, Lula ficará inelegível.

O ex-ministro afirmou, ainda, que o PT usa o nome de Lula, “humilhado na cadeia”, para facilitar a eleição de deputados federais.
Por Murilo Ramos

17 de agosto de 2018

“Companheiro de Lula” - Fernando Henrique Cardoso sugere união entre PSDB e PT contra o Mito Jair Messias Bolsonaro (PSL)

BRASIL - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso,um dos articuladores do golpe contra Dilma Roussef e que viu seu partido ser quase dizimado em consequência do ataque à democracia, agora ensaia apoiar o PT num eventual segundo turno contra o candidato Mito Jair Messias Bolsonaro (PSL 17).
Em entrevista à rádio Jovem Pan, uma das mais estridentes vozes do golpe em São Paulo, FHC admitiu: "Espero que o PSDB vá para o segundo turno e acho que o PT espera a mesma coisa, mas dependendo das circunstâncias, eu não teria nenhuma objeção a isso", disse ele em referência a uma frente contra Bolsonaro. 

Como líder tucano, ele não descarta a hipótese de Alckmin estar no segundo turno. Mas, nos bastidores, Fernando Henrique já jogou a toalha.

FHC disse que não vê com bons olhos a polarização entre PT e PSDB: "Eu acho bom mesmo é ter mais abertura, discutir, variar. Democracia é assim, eu não sou favorável a um estado de beligerância permanente". A frase é defasada, pois com o desmantelamento tucano, a polarização está encerrada e hoje o país está dividido não mais entre PT e PSDB, mas entre PT e Bolsonaro.

O ex-presidente também afirmou que o PT está "fazendo um esforço de divulgação da proposta do partido e do próprio ex-presidente Lula", mas que o PT sabe "que o resultado vai ser o que a lei manda. É inelegível, não tem jeito", acrescentou; enquanto FHC concedia a entrevista, nesta quarta (15), milhares de pessoas registravam a candidatura de Lula no TSE.

1 de agosto de 2018

PT fecha acordo com PSB e Lupi ironiza

BRASÍLIA - Em mais uma derrota para o candidato Ciro Gomes (PDT), o PSB vai anunciar a neutralidade no 1.º turno das eleições 2018.
Em sua rede social o Deputado José Guimarães confirma apoio ao PSB do Amazonas

O partido fechou um acordo com o PT e se comprometeu a não apoiar nenhum candidato à Presidência da República na primeira parte da corrida eleitoral. Sem aliança com outros partidos, isolado, Ciro terá apenas 5% do horário eleitoral - cerca de 36 segundos por bloco. O tempo é oito vezes menor do que o do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que sozinho tem cerca de 40% da propaganda eleitoral gratuita. 

A Executiva Nacional do PT confirmou que anuncia nesta quarta-feira, 1, os termos de um acordo eleitoral com o PSB. O pacto prevê a retirada da candidatura da vereadora de Recife Marília Arraes ao governo de Pernambuco. A medida era vista como fundamental para haver a neutralidade do PSB. O partido tem como um dos principais objetivos nesta eleição a reeleição do governador Paulo Câmara. 

A movimentação política também beneficia o governador de São Paulo, Márcio França (PSB), que desde o início do processo eleitoral rejeitava a aliança do partido com outra legenda da esquerda. Com a neutralidade, França poderá apoiar livremente a candidatura de Alckmin, seu antecessor no Estado. 

Em troca, além da neutralidade, o PSB vai retirar a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda como candidato ao governo de Minas Gerais. E liberar os seus diretórios a se aliarem a candidatos do PT. A estimativa é que em 14 estados o partido se aliará localmente com os petistas. 

"Com esse gesto do PT, não vai ter nenhuma disputa no domingo. Posso garantir que vamos optar pela neutralidade", disse o deputado Julio Delgado (PSB-MG). O PSB marcou sua convenção nacional para domingo, dia 5.
O acordo será um revés para o candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, que tentava atrair o PSB e agora deve contar com apoio de poucos diretórios do partido, como Distrito Federal e Espírito Santo. Nesta quarta, o Estado mostrou que Ciro e Marina tentavam romper o isolamento buscando alianças com PSB e PV, respectivamente. 

Em São Paulo, o governador Márcio França (PSB), candidato à reeleição, ficará liberado para apoiar o pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, o ex-governador Geraldo Alckmin.

PDT ironiza divisão no PSB
Em meio às negociações em torno da chapa de Ciro Gomes, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, criticou a divisão dentro do PSB. "Engraçado é que Pernambuco é que decide sobre o Brasil. Pernambuco está maior do que o Brasil", ironizou Lupi ao Estadão/Broadcast.
Ao lado de São Paulo, Pernambuco é o diretório que mais tem delegados na convenção nacional do PSB. Liderados pelo governador Paulo Câmara, o grupo pernambucano tentava atrair o PT para a chapa de reeleição estadual em troca do apoio nacional ao candidato indicado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Por sua vez, os diretórios do PSB em Minas Gerais, Distrito Federal e Ceará querem apoiar Ciro. Há também uma ala que advoga pela independência do partido, capitaneada pelo governador paulista, Márcio França. A ideia de lançar uma candidatura pessebista como cabeça de chapa naufragou nos últimos dias.
Apesar da crítica aos pernambucanos, Lupi disse esperar uma definição do PSB, que realiza convenção no domingo, data-limite estabelecida pela lei eleitoral. "Vamos esperar até dia 5. Até lá, é uma eternidade", afirmou

Fonte: Estadão



28 de julho de 2018

Ciro diz que PT faz lambança e PSDB não sabe o que fazer com Aécio Neves

BRASIL - O PSDB fará convenções estaduais neste fim de semana, que fixam as candidaturas das eleições nos estados.
Todos os olhos estarão em Minas Gerais. Além de apresentar a candidatura de Antonio Anastasia ao governo do estado, o partido revelará (finalmente) o destino do senador Aécio Neves em outubro. Seu mandato no Congresso termina em 2018, mas uma nova ida às urnas é motivo de controvérsia interna em sua legenda.

Candidato à Presidência da República em 2014 e um dos fiadores do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016, Aécio viu sua carreira política afundar após a gravação de Joesley Batista em que o político pedia 2 milhões de reais ao empresário. Ele nega as acusações do Ministério Público Federal de que se tratava de um pedido de propina.

São três as opções: a reeleição a senador, uma vaga como deputado federal ou abandonar a política. A primeira missão seria a mais difícil, pois o alto índice de rejeição pós-escândalo é garantia de sangria nos votos. Além disso, diretores do PSDB creem que a candidatura pode comprometer a tentativa de Anastasia, ex-governador do estado, de voltar ao poder em Minas no lugar do petista Fernando Pimentel.
Como deputado federal, Aécio teria menos problemas para se eleger. Mas a restrição do foro privilegiado para parlamentares deixa pouco interessante a proteção embaixo de um cargo público, para que se defenda das acusações da J&F. Restaria não disputar a eleição, quase consenso que seria o melhor para todos. O único que talvez discorde é o próprio Aécio, que em meio ao turbilhão de acusações, não quis se afastar nem da presidência do partido para que respondesse ao processo na Justiça.

Ciro Gomes
O candidato a presidente pelo PDT, Ciro Gomes disse, nesta 6ª feira (27.jul.2018), que “o PT está fazendo uma estratégia que faz o país dançar na beira do abismo”. A declaração refere-se à decisão do partido de manter o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como pré-candidato ao Planalto mesmo enquanto está preso em Curitiba (PR).

Ciro foi entrevistado pelo jornalista Reinaldo Azevedo para o programa “O É da Coisa”, da Rádio BandNews FM. Também afirmou que uma candidatura de Lula seria uma fraude, por ir contra a Lei da Ficha Limpa.

A lei impede pessoas condenadas em 2ª Instância de se candidatarem nas eleições. Como Lula foi condenado pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) e ainda cabe recurso da defesa aos tribunais superiores, há certa insegurança jurídica quanto à aplicação da regra no caso do petista.

O ex-ministro disse ser contra a prisão do ex-presidente e explicou a declaração dada à TV Difusora, no Maranhão. Ciro afirmou que a sua eleição como presidente é a única “chance de Lula ser solto”.

O pedetista afirmou se tratar de sua opinião, não de uma ação que faria caso seja eleito.“Eu não tenho a faculdade de soltar o Lula, mas tenho opinião. Eu acho injusta. Não se condena por conjunto indiciário, só com prova”.

O PDT e o PT disputam o apoio dos outros partidos da esquerda. O PC do B faz sua convenção nacional em 1º de agosto, quando anunciará a posição sobre as eleições. Já o PSB marcou a convenção para 5 de agosto, último dia do prazo estabelecido pele TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A convenção nacional do PT, marcada para 4 de agosto, oficializará a pré-candidatura de Lula. O Psol já oficializou a candidatura de Guilherme Boulos.
O PC do B convidou os presidentes do PT, PSB, PDT e Psol para uma reunião em Brasília com a eleição como pauta. O encontro será na sede nacional do PSB, em 1º de agosto.

26 de julho de 2018

'A ideia de uma chapa com Ciro não morreu na praia. Está na ilha ainda', diz Haddad, quase jogando a toalha #LulaInelegível

BRASIL - O PT espera que seja o próprio Lula a governar o Brasil, se o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral permitirem que ele seja candidato, e a sua enorme intenção de voto se transforme em realidade. Mas é Haddad quem está dando a cara, neste momento, ao anseio do partido de voltar ao poder.

O ex-prefeito está treinado para negar as especulações sobre o seu nome. “Só existe plano A [com Lula candidato na cédula]”, repete ele sistematicamente, numa frase pouco crível para quem tem como mentor um animal político como Lula. 

Pelo sim pelo não, a realidade vai se impor no próximo dia 17 de setembro, data limite para o TSE dar o veredito para o futuro de Lula e do PT nesta eleição. Faltarão, então, só 20 dias para o primeiro turno da eleição, quando ou ele ou outro nome do partido deverão se apresentar no lugar do ex-presidente. Ou, como alternativa, apoiar outro candidato.

Pergunta. Você, como coordenador da campanha do PT à presidência, e diante da possibilidade de que o PT tenha de escolher um nome para suceder Lula, é naturalmente associado ao papel de sucessor do candidato do ex-presidente caso ele seja impedido de concorrer.
Resposta. Essa conversa não existe dentro do PT.

P. Por enquanto.
R. Nem existirá. O PT vai registrar o Lula dia 15 [de agosto] e vai lutar, tanto no TSE, como no Supremo, para viabilizar a candidatura dele. Esse é o plano A e único.
O sistema político em crise de legitimidade enfrenta agora o ‘vácuo Lula’
Convenções dos partidos ganham holofotes inéditos com dúvidas sobre alianças

P. [O ex-secretário de Cultura e ex-vereador] Nabil Bonduki escreveu um artigo na Folhanesta terça, cobrando do partido que seja coerente com a própria tese do golpe de que o Lula será impedido de concorrer, sugerindo que outro nome seja apresentando, pois faltam 75 dias para a eleição. Não faz sentido?
R. Mas o que sabemos... A jurisprudência do TSE consolidada até aqui garante o registro pelo artigo da lei eleitoral. Por que daríamos como certo que essa jurisprudência irá mudar? Essa é a pergunta que o Lula se faz e eu me faço. Por que vamos dar como certa a mudança da jurisprudência até aqui?

P. Porque a Justiça não tem sido...
R. Imparcial?

P. Garantista, como foi até pouco tempo atrás.
R. Sim, mas se o que você está dizendo é verdade, menos ainda podemos convalidar uma mudança completa de postura em relação aos processos.

P. Se esse processo demorar, e estiver muito em cima, não sei até que ponto o TSE pode estender a resposta a esse processo. Corre o risco do PT ficar fora de uma eleição? Com tão pouco tempo de troca?
R. Não posso antecipar movimentos do Judiciário. Quem poderia esperar que o TRF-4 agisse como agiu, em relação ao Lula, aos prazos, à tipificação do crime de lavagem de dinheiro que, para dizer o mínimo, foi absolutamente inovador?

P. Se Lula for candidato, como se vislumbra uma campanha? Ele é um nome conhecido, mas você, a Gleisi Hoffmann, seriam o rosto durante este período, tendo em vista que ele não vai poder gravar programa?
R. Em algum momento alguém vai ter que dar uma resposta para a questão democrática, pois no fundo é isso que está em jogo. A própria imprensa tem provocado o Judiciário no sentido de garantir o direito a livre manifestação, de liberdade de expressão. Transbordou a para esfera dos próprios fundamentos da democracia. Outro aspecto a ser considerado.
Ciro e coligações
(Haverá) taxação progressiva sobre bancos. (...) Os bancos serão induzidos a reduzir as taxas de juros

P. Falamos sobre Lula liderando pesquisa, mas existe um percentual alto de eleitores que não querem votar em ninguém. Como o PT pretende abordar este eleitor?
R. Estamos vivendo uma crise institucional pós-golpe. E isso trouxe feridas, afetou a vida das pessoas. Precisamos fazer uma refundação democrática. Eu creio que a campanha, se for bem traduzida programaticamente, desperta esperança nas pessoas, e elas comparecem. Mas nesse momento não sei avaliar o quanto uma campanha de 30 dias vai afetar o humor das pessoas.

P. E as coligações, quais as possibilidades?
R. Eu não estou acompanhando pessoalmente as conversas, mas sempre defendi desde o ano passado que os canais com PDT, PC do B, PSB, PROS, estejam sempre desobstruídos, porque pode acontecer na etapa final uma confluência, que eu espero que aconteça.

P. Ciro chegou a falar que uma chapa junto com você seria um dream team. Essa ideia morreu na praia?
R. Não sei se se aplica o termo morreu na praia. Não saiu nadando, está na ilha ainda [risos]. Eu fui contemporâneo do Ciro na Esplanada dos Ministérios, mantenho com ele até hoje excelentes relações, e me aproximei muito do Cid quando ele foi governador. Então tenho muito respeito e admiração pelos Ferreira Gomes. São pessoas de valor, e essa afinidade acaba gerando este tipo de desejo, o que é natural.

P. Você diz que não existe no PT uma conversa sobre os potenciais nomes para substituir o Lula. E existe um debate sobre se unir ao PDT na reta final?
R. Eu vejo declarações de simpatia mútua. Sempre estivemos juntos, desde os tempos do Brizola [Leonel Brizola, ex-governador do Rio].

P. Então não é algo improvável essa união...
R. Uma coisa que é importante para nós é a candidatura do Lula, que lidera as pesquisas e que seria eleito talvez no primeiro turno.
Nós incrementamos o mercado de massa, fizemos também bons trabalhos, mas não fizemos tudo. Por isso queremos voltar a governar

P. Mas esse é o plano A...
R. O problema é que se os partidos não estiverem coligados até o dia 5 de agosto, data final para as convenções, não poderão mais estar coligados dia 17 de setembro. Esse é o problema. É um problema legal.

P. E se no dia 17 de setembro o TSE diz que Lula não pode ser candidato, o que o partido fará? Abrirá mão da candidatura ou apoiará outro candidato?
R. Sem coligação pode [apoiar outro]. Como exercício jurídico pode.

P. Mas como exercício político... O PT como protesto abrir mão de sua candidatura caso Lula não possa disputar.
R. Como exercício de futurologia...

P. É uma realidade que vai se impor, não é futurologia.
R. Não sei te responder.

P. Você diz que não se fala em plano B no partido. Mas se fala muito no nome do Jaques Wagner e no seu. O partido vai aguardar até os 45 minutos do segundo tempo pra elaborar o plano B?
R. Eu desconheço. Não tenho conhecimento disso.
Fórmula para retomar a economia

P. Falando dos planos do partido. O país vive uma necessidade urgente de retomar a economia. O que vocês enxergam como caminho par retomar o investimento?
Eu consegui grau de investimento na cidade de São Paulo. Não foi a direita. A direita quebrou a cidade
R. Tem muito investimento travado por incompetência do governo. Você pode reativar muitas parcerias público privadas, muitas joint ventures de empresas estatais, concessões, sem dificuldade. Dou um exemplo. Queremos trocar toda a iluminação publicado do país por LED. Isso se faz sem custo. Com a economia de energia elétrica você paga o investimento privado.

P. A expansão de crédito está contemplada no programa do PT de que forma?
R. Há um projeto de indução de redução de spread (diferença entre os juros que os bancos pagam para captar recursos e o que cobram de seus clientes na hora de emprestar), por meio de taxação progressiva sobre bancos. Instrumento pelo qual obrigaremos o sistema a reduzir o spread, gradativamente. Os bancos serão induzidos a reduzir as taxas de juros praticadas em todas as linhas de crédito: cartão de crédito, cheque especial e capital de giro. Tem muita gente com boas ideias mas não tem o crédito para implementá-lo. A economia moderna é baseada em crédito. Nosso sistema de crédito é um paradoxo. Temos um sistema mais robusto em termos tecnológicos do mundo e não conseguimos oferecer crédito barato para as pessoas. Não estamos dialogando só com o consumo de massas para ter acesso ao crédito. É com o empresariado que não tem acesso também. Quem movimenta economia no Brasil é a pequena e a média empresa, que tem dificuldade de ir ao BNDES, que é quem gera emprego. Ela tem de ter um sistema bancário acessível. A agência vizinha à loja, padaria, ela tem de estar disponível com crédito barato. Não temos crédito barato para empreendedor. Precisamos retomar a expansão do mercado de capitais. Tivemos recorde de IPOs com o Lula porque havia pujança.

P. Essa mesma pujança, e um excesso de confiança, gerou efeitos colaterais, como a própria inflação que estourou. O partido chegou a ser criticado, inclusive, por ter estimulado mais a formação de consumidores e não de cidadãos.
R. Discordo com parte desse diagnóstico. Quando você faz Mais Médicos estamos falando de cidadania. Quando sai de 3 para 8 milhões de universitários isso é cidadania. Quando faz Pronatec, manda jovens para o exterior, não é consumo, é cidadania. O programa Luz para Todos não é consumo, é cidadania. Nós incrementamos o mercado de massa, mas nós fizemos bons trabalhos, mas não fizemos tudo. Por isso queremos voltar a governar. Precisamos de uma reforma tributária para tornar nosso sistema menos regressivo do que ele é.

P. Como iria funcionar?
R. Tem toda uma estratégia de transição do modelo, com mecanismos bastante sofisticados de transição que não vi em nenhum modelo até agora. Acho que nós encontramos esse caminho de transição. Por duas travas. Uma trava da carga tributária liquida, e uma da receita real dos entes federados. Criando essas duas travas, criando um imposto de valor agregado, que vai durante a transição nos garantir esses dois pressupostos para migrar de uma situação para outra. Dando garantias ao Congresso de que nosso objetivo é a mudança de composição da carga, fazendo com que quem não pode pague menos, e quem pode, pague mais, um critério universal de um regime tributário.

P. E a taxação das grandes fortunas?
R. Nós colocamos isso porque está na Constituição. Mas a nossa perspectiva de curto prazo é a progressividade de imposto sobre heranças, que é uma prática internacional bastante estabelecida. Na Europa, EUA, até os liberais defendem taxação progressiva sobre grandes heranças, pois sendo um regime pretensamente meritocrático, nada mais meritocrático contribuírem com um fundo público de acordo com suas possibilidades. Isso está mais no nosso horizonte do que outra coisa. Agora, diminuir Imposto de Renda sobre trabalhador para reintroduzir IR sobre lucro dividendos está no nosso horizonte. No sentido de calibrar a composição do fundo, sem pretender aumentar a carga líquida neste momento. Essa transição vai viabilizar uma mudança importante. Com uma mudança importante, que vamos iniciar nos primeiros meses. A isenção de IR até cinco salários mínimos implementamos no primeiro ano, mais acesso ao crédito: são duas alavancas. É acesso do empreendedor para quem quer gerar emprego.

P. Vocês têm propostas que fortalecem o trabalhador e a pequena e média empresa. Mas temos uma elite empresarial...
R. Essa já está contem
plada. Aliás, a crítica que se faz é que só eles têm acesso ao Estado. Comecei falando do PPP, grandes empreendimentos. Não vamos descuidar de nada.

P. Mas como setor bancário deve reagir ao mecanismo de indução de redução de spread?
A cena de Bolsonaro sendo aplaudido na CNI... Alguém deve ter visto aquilo e falado: “Até onde nós vamos com essa aventura?” Acendeu o sinal amarelo, vermelho ou roxo.
R. Acredito que eles não podem ser contra ter um sistema moderno de crédito no país. Obviamente nós vamos ouvi-los. Exemplo: execução de garantia no Brasil é algo demorado. Então eles têm o pleito de melhorar sistema judiciário em geral para executar garantias. Muitas vezes tem garantia formal, mas na prática não tem. Isso nós vamos cuidar.

P. Estamos com uma dívida pública altíssima, que se descolou, inclusive, de outros países emergentes, como Chile e Colômbia. Como lidar com essa questão, uma vez que a expansão de parte desta dívida pública é atribuída aos Governos do PT?
R. Primeiro, corrigindo esse erro. Se você olhar o que nós pegamos de dívida dos Governos do Fernando Henrique Cardoso você vai ver que ao longo dos anos a dívida pública bruta e líquida, sobretudo a líquida, caiu barbaramente. A bruta só não caiu mais porque nós compramos 370 bilhões de dólares em reservas cambiais. Você pode até criticar a compra dessas reservas, mas não dá para dizer que não caiu a dívida. Se vendêssemos todas as reservas hoje, a dívida voltaria ao patamar de 50 e poucos por cento, menor que a herdada de Fernando Henrique.

P. E como seria a correção destes erros?
R. Primeiro, temos que reativar a economia. Tem uma coisa que os conservadores falam, “ah, tem que checar a efetividade de programas, cortar programas que não têm impacto”. Isso é óbvio, não pode ser nem bandeira de campanha, qualquer um que entra lá tem que fazer as contas. Mas as pessoas têm que dizer como vão reativar a economia. Nós estamos dizendo como vamos fazer. Retomada do investimento público, concessões, PPP, joint ventures, melhoria da renda das famílias mais pobres...

P. Mas, dependendo do investimento, você bate de novo no aumento de dívida pública. Como fazer essa engenharia?
R. Depende. As estatais têm um outro regime, com investimentos que não implicam aumento de custeio. É preciso fazer uma análise caso a caso para ver quais vão ser as obras que vão impactar a produtividade da economia. Você tem estratég
ias para enfrentar esta questão que são tradicionais: parcerias com o setor privado precisam ser retomadas. Muita coisa por fazer que está parada. E também mudar a composição do fundo para favorecer as pessoas de renda mais baixa que tem maior propensão ao consumo, além de melhorar o sistema de crédito. Sem crédito a economia não pode retomar. São medidas de curto prazo que já implicam uma retomada da economia. E obviamente abrir o orçamento e ver qual gasto público precisa ser revisto. Isso é rotina. Eu consegui grau de investimento na cidade de São Paulo fazendo isso.Cortando custeio, renegociando dívida com a União, voltando a pagar precatórios. Não foi a direita que conseguiu o grau de investimento. A direita quebrou a cidade.

P. E como pacificar a relação com o setor produtivo que hostilizou Dilma durante o impeachment?
R. O setor produtivo estará diante da realidade que vai se colocar a partir de 1º de janeiro de 2019... Entendo que o projeto Temer será derrotado nas urnas, seja lá quem for seu representante, provavelmente Alckmin.
Alckmin, Temer e o Centrão

P. Você acha que Alckmin representa a continuidade do projeto Temer?
R. Eu não acho, não é uma questão de achar... O ministro da Fazenda do Temer foi secretário da Fazenda do Alckmin. O ministro das Relações Exteriores é do PSDB. O ministro das Cidades era do PSDB. Então o PSDB está no Governo inteiro. E quem deu sustentação à aventura Eduardo Cunha e do impeachment foi o PSDB.
(Os donos das concessões de TV) concentram propriedade, propriedade cruzada no Brasil é prática. Combinação entre poder político e comunicação é regra. Isso é arcaico

P. Esse bloco parlamentar chamado de Centrão, que hoje está fechado com o Alckmin, é um grupo que se fortaleceu muito durante os Governos do PT...
R. Não acho que se fortaleceu, ele ficou do tamanho que era. Mas ele tem uma presença muito forte. Acho que ele está mais articulado do que antes, até pela vulnerabilidade do PSDB, muito dependente de acordos. O PSDB sempre teve uma maior facilidade em compor maiorias, pela inércia das coisas. E hoje está com mais dificuldade em virtude da fragilidade da candidatura Alckmin.

P. Como você vê o embarque provável do Centrão na campanha do Alckmin? Fica aliviado pelo fato deles não darem musculatura para Bolsonaro?
R. Eu nunca acreditei que eles fossem fechar com o Bolsonaro. Deve ter havido uma ordem de comando também. Estava demais, né? Acho que a cena na Confederação Nacional das Indústrias, com o presidente entidade de braço dado com o Bolsonaro, sendo aplaudido cinco ou seis vezes, alguém deve ter visto aquilo e falado: “Até onde nós vamos com essa aventura?” Entendo que isso acendeu o sinal amarelo, vermelho ou roxo.

P. A Dilma experimentou de maneira amarga o que é lidar com um Congresso que era considerado o mais conservador já eleito, com crescimento de bancadas como a da bala. Como alcançar governabilidade, como trabalhar isso?
R. Desde a campanha é preciso angariar apoio para suas propostas. Não dar de barato de que ganhando você vai ter o mando do jogo. É preciso que haja um diálogo com a população muito precoce e permanente. Mesmo você tendo dito durante a campanha tudo o que vai fazer no Go
verno, você precisa manter a democracia ativada, participativa. As nossas medidas são boas para a maioria do povo. Reduzir a carga tributária do pobre que paga muito e aumentar sobre o rico, que paga pouco, é razoável. Você aumenta a renda disponível dos pobres e reativa o consumo. Isso reativa a economia. Você pode achar que está perdendo, mas de forma intertemporal você está ganhando, o próprio empresário. Ganha produzindo.
Mídia regulada

P. Algumas das propostas, como a regulação da mídia, tem potencial para indispor um futuro Governo petista com o Congresso, já que parte dos parlamentares são donos, direta ou indiretamente, de retransmissoras de TV e estação de rádio. Isso não pode acirrar a animosidade com o Governo?
R. Isso é ilegal: político ser dono de concessão é ilegal. Não podemos fechar os olhos para uma inconstitucionalidade. Isso distorce a democracia. A imprensa deveria ajudar a sanear esse problema. Me causa perplexidade que a imprensa dita liberal compactue com essas práticas oligopólicas e de confusão entre o público e o privado. Não é compreensível que essas forças que a todo momento evocam o liberalismo sejam refratárias à modernização das relações. Estamos falando de aplicar Constituição.

P. Lula quando teve todo apoio popular não o fez. Aí, agora, quando a grande mídia é alvo do PT após o impeachment, não soa como revanche?
R. Até vocês, e isso eu não gostaria que fosse suprimido da minha entrevista, são alvos da grande imprensa. Tem a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) para tirar o EL PAÍS do ar [no Brasil] no STF. Na verdade, temos uma oligarquia censora no Brasil. Eles estão impedindo a livre circulação de ideias. Já pensou se o PT entrasse com ação do ar invocando lei? Eu fico perplexo. Não se toca no assunto. The Intecept, BBC, EL PAÍS podem sair do ar, se a ADIN for aceita. Quem são eles para falar de censura, se eles são censores que querem tirar sites alternativos do ar, organizações internacionais? Eles têm uma prática muito diferente do discurso. Eles concentram propriedade, do ponto de vista vertical como horizontal, propriedade cruzada no Brasil é prática. Combinação entre poder político e comunicação é regra. Isso é arcaico e patrimonialista, atrasado.

P. Como mostrar isso sem parecer que o PT simplesmente está querendo se opor... Apertei a mão de Maluf e repatriei 150 milhões de reais. Não deixei cumprir minha obrigação
R. Se você publicar o que estou falando, que existe uma ADIN contra vocês, as pessoas talvez comecem a entender, mas se você esconder do teu leitor o processo do qual você é vítima você não contribui com a democracia. Eu já dei entrevista em que foram suprimidas minhas palavras sobre essa questão. Quem está censurando quem?

P. Mas por que agora?
R. Isso está nos programas do PT desde sempre. Cumprir a Constituição.
P. Isso consta, mas não 
quer dizer que será votado, não será o primeiro ato, é isso?
R. A inspiração do que vamos levar ao Congresso é tradição americana e britânica. Que na nossa opinião é a mais avançada de concessões públicas. Não estamos falando de jornal. Estamos falando de concessão. Todas são reguladas. Menos essa.

P. A regulação da mídia não é um assunto distante para parte da população que tem necessidades mais urgentes, como alimentação e saúde?
R. Tudo tem seu tempo. Mas acho que todo mundo entende que um político não pode ser dono de concessão de rádio e TV. Isso é antidemocrático. Por isso a Constituição estabelece parâmetros para que isso não aconteça. E é um aperfeiçoamento democrático liberal, não é nada bolivariano. Sempre me chamou a atenção como cientista político o quanto nós abraçamos aqui o liberalismo de fachada. Não existem forças liberais francas no Brasil. Veja o Movimento Brasil Livre. Essa meninada chegou a chamar a atenção de alguns ricos. Foram os primeiros a pedir para fechar exposição de museu. Esse é nosso liberalismo. De araque. Não é verdade.
MPL X MBL

P. Quem lhe deu mais trabalho, o MBL ou o Movimento Passe Livre, que realizou vários protestos pela revogação do aumento da passagem dos ônibus durante seu mandato na prefeitura?
R. A agenda do MPL, transporte como direito social, é uma agenda com a qual eu simpatizo. A minha crítica é pela forma, não pelo conteúdo.

P. E a campanha do MBL contra a corrupção, não é algo que você acha interessante?
R. Se fosse verdadeira seria ótima, né? Mas você vê que eles tiraram foto com o Eduardo Cunha... Não é bem isso né.

P. Mas você apertou a mão do Paulo Maluf na campanha de 2012 para conseguir o apoio do PP.
R. Não, mas não foi nesse sentido que eu estava lá. Eu estava lá em uma agenda... Eu apertei a mão do Paulo Maluf em um dia e repatriei o dinheiro das Ilhas Seychelles [que teriam sido desviados por Maluf] no dia seguinte, né? Vamos falar a verdade para seu leitor. Apertei a mão dele e repatriei 150 milhões de reais. Não deixei cumprir minha obrigação. Eu não vejo da parte do MBL uma agenda franca anticorrupção. Acho que agiram assim quando era interessante, depois mudaram a pauta.

Grandes obras
P. Os Governos do PT foram alvos de críticas pela maneira como conduziram grandes obras, como Belo Monte e a transposição do rio São Francisco, num desenvolvimento a qualquer preço. Como o partido lida com isso?
R. Nós temos um capítulo no programa sobre transição ecológica. Resolvemos enfrentar esse desafio, da produção com conservação, adotar essa agenda. E explicitar essas diretrizes. Grandes obras como transposição do São Francisco, hidrelétrica de Belo Monte, exploração do pré-sal, sempre vão ser polêmicas. E nós temos que considerar as críticas para aperfeiçoar o modelo. Não tenho dúvida. Eu acredito que Belo Monte é uma usina muito melhor do que todas as outras que foram construídas no passado. Mas talvez não tenha chegado numa situação em que possa ser considerada um caso exemplar. Reconheço. A transposição, que antes era muito criticada, hoje sofre menos críticas.

P. Com relação a Belo Monte, o que você apontaria como fator para que ela não seja um caso exemplar? Existem casos bem documentados de pessoas que foram expulsas, casas queimadas...
R. Esse assunto foi objeto de uma conversa recente minha com o Lula, a última. O Lula falou uma frase, disse: “Olha, nós temos que encontrar uma maneira de transformar a população do entorno em sócio do empreendimento. Elas não podem ser objeto da intervenção, tem que ser sujeito da intervenção”. É preciso mudar o paradigma de diálogo com essas populações e efetivamente transformá-los em sujeitos ativos de uma perspectiva transformadora. Ele usou a expressão “temos que transformar esse pessoal em sócio do empreendimento. Eles não podem ser afetados”. O Lula está muito ciente dos problemas do empreendimento. Talvez nós possamos repensar o modelo de governança dessas grandes obras.

P. O programa Minha Casa Minha Vida também teria correções? Ele é constantemente criticado por urbanistas.
R. Eles criticam, mas o programa também é muito elogiado. Eu mesmo sou partidário dessa visão de que se construiu muito onde não havia tanta infraestrutura. Aqui em São Paulo nós procuramos mudar isso. Criamos várias ZEIS [Zonas especiais de interesse social] no centro de São Paulo que estão ensejando empreendimentos, incorporações. Muitos lançamentos no centro de São Paulo que são mais acessíveis. Hoje com 200.000 reais você compra um apartamento em São Paulo. O que para uma metrópole cara como São Paulo, é significativo. Não é o ideal, mas avançamos bem.

P. Falando da Petrobras. Para além de toda a corrupção que ali se instalou, a empresa, do ponto de vista de negócio, assumiu uma dívida estratosférica numa matemática impossível de fechar. Até hoje vende ativos. Qual é a visão do partido em relação a esse assunto?
R. No caso da Petrobras, e concordando que houve uma alavancagem discutível, o fato é que todas as petroleiras foram pegas no contrapé com a crise de 2008. Você tem uma barriga no preço do petróleo, e nenhuma petroleira estava preparada para sair de 120 dólares por barril para 30. Efetivamente todos os balanços foram afetados por isso. Entendo que agora a situação específica deste setor oferece uma oportunidade de recuperação, e que devemos atuar no campo das refinarias, ao menos terminar os projetos que estão iniciados, como o Comperj e Abreu e Lima.

Plano B para Lula e Palocci
P. Levando em conta o pior cenário para o PT: Lula tem o registro indeferido e o partido vai escolher alguém dos seus quadros para disputar. Quem seria um bom nome? Você estaria confortável para ocupar essa vaga?
R. Olha, nós estamos nos valendo da jurisprudência do TSE para levar a candidatura do Lula a registro. Ele vai escolher o seu vice. E nós aguardamos duas decisões importantes: do TSE com relação ao registro, e em caso de negativa uma liminar no Supremo para garantir esse registro. Antes disso o debate está... Esse debate sobre substituição não é feito. Não há reunião sobre isso dentro do PT.

P.O Lula não ventila essa hipótese de o partido ter outro candidato?
R. Ele não discute o assunto, pelo contrário. Ele reafirma sua inocência, sua vontade de ser candidato, seu desejo de presidir o país.

P. Com relação à delação do ex-ministro petista Antonio Palocci, há um temor dentro do partido?
R. Vamos ver [o que ele traz]. A quantidad
e de delações que são feitas e vão caindo são expressivas. Recentemente a do Delcídio do Amaral, do Ricardo Pessoa... E as delações vem caindo por que? Porque a pessoa no desespero de estar encarcerada ela vai juntando fatos... Eu acho desprezível alguém fazer isso, mas compreendo o desespero da situação. Acho injusto que essas pessoas estejam conseguindo em troca da delação uma redução de 70% da pena e mantendo o patrimônio intacto. Considero que o corruptor não deveria ter estes benefícios todos. Não acho que o corruptor é melhor do que o corrupto, como em geral tenta se vender. Às vezes o corruptor tenta se passar por vítima: é a quintessência da hipocrisia. Nós sabemos que o corruptor é quem leva a parte do leão

Judiciário
P. Uma das propostas de vocês é alterar a forma de nomeação de integrantes do Supremo. Em um momento no qual o PT é um dos grandes alvos da Justiça isso não pode ser visto como revanchismo?
R. O STF vai manter essa composição atual por muito tempo, não há nenhuma preocupação a curto prazo com isso. Estamos falando dos novos indicados. Só forçando um pouco a interpretação para achar isso [que se trata de revanchismo].

P. Isso nunca foi uma bandeira do PT enquanto estava no poder. Agora, acuado pelo Judiciário, isso vem à tona?
R. Não é um momento de crise institucional? Porque não se inspirar em modelos avançados para entender isso. A questão do controle externo à corporação, isso vale para todas as instituições, é um traço de modernidade. Os atuais membros do STF ficarão lá até os 75 anos. Essa medida, de colocar um prazo para o mandato do ministro da Corte, tira poder do presidente, não é algo que dá poder para ele. Porque o indicado por ele terá 15 anos de mandato, ou 12. Não será vitalício.

P. Mas dá a entender que o partido está desgostoso pela maneira como a Justiça está atuando. Qual o mérito da proposta?
R. O mérito é uma pessoa que é indicada com 40 anos ficar até os 55 e não até os 75. Parece razoável não?

P. Você acha que a Corte não se renova?
R. É muito poder. Uma pessoa ficar 35 anos no STF. Eu sou cientista político e me soa bem a tese de que ninguém deve ter tanto poder por tanto tempo.

Aborto e drogas
P. O programa de Governo do PT não tem menção à questão do aborto. Por que esse ponto ficou de fora?
R.O PT historicamente trata a questão do aborto e das drogas como uma questão de saúde pública. O poder Executivo tem um compromisso em abordar esses temas sob essa ótica. Acontece que agora, neste momento, a questão foi judicializada. Os dois temas estão na pauta do STF. E muito mais forte do que uma lei ordinária do Executivo sobre o tema é o disciplinamento disso por uma jurisprudência com base em cláusula pétrea da Constituição, que não pode ser alterada por lei ordinária. Todos os indicadores internacionais dão conta de que uma mudança de postura do Estado com relação a isso faz diminuir o número de abortos. É preciso analisar a questão com uma visão mais científica, mais pragmática e menos fundamentalista, buscando objetivos concretos, como melhorar a saúde da população.

P. E com relação às drogas?
R. Se você analisar os estudos sobre prisão versus apreensão, você vai ver que prendemos um contingente enorme de pessoas com nenhuma efetividade de apreensão. Ou seja, estamos iludindo as pessoas de que estamos combatendo algo. Não estamos combatendo nada, estamos perdendo a guerra. Inclusive porque essa guerra não se ganha, a não ser pela promoção da saúde e pela prevenção da educação...

P. Mas o STF já está analisando a questão do aborto e da descriminalização das drogas há meses, os processos não andam...
R. Mas está pautado.

P. Mas com relação às drogas você deixaria apenas a cargo do STF? No México o Executivo está promovendo o debate sobre reformas nesse assunto.
R. É uma discussão sobre direitos fundamentais, dá mais robustez para a decisão quando se tem esse caminho do STF. Não é “deixar na mão do STF”. Temos três Poderes, né? Vamos puxar pela memória o que aconteceu com a comunidade LGBT em torno da questão da união estável homoafetiva. Se o Executivo tivesse mandado para o Congresso um projeto de lei, talvez estivéssemos até hoje em um impasse. Mas quando é um direito protegido pela Constituição, no STF houve um outro desfecho [com a aprovação]. Quando há uma visão distinta entre Legislativo e Executivo em torno de direito fundamentais, que são direitos ditos de minoria, muitas vezes o Judiciário harmoniza. Isso é entender o funcionamento da república moderna. Existem países mais avançados, mais abertos e menos fundamentalistas, que conseguem dirimir essas questões por meio de leis. Depende muito da correlação de forças internas... A sociedade vai encontrando caminhos para escapar dessa tradição mais obscurantista por vários mecanismos. Está ganhando expressão social uma vertente de discussão séria sobre garantias individuais.

Entrevista ao site ElPaís Brasil